26 de mar de 2013

PSOL junta-se ao PSDB na investida contra democratização da comunicação


A audiência da internet no Brasil cresceu aproximadamente 40 vezes de 2000 até 2011 (o número de internautas cresceu 10 vezes, e a média de horas navegadas cresceu 4 vezes, segundo o Ibope/NetRatings).
Mesmo assim o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) teve o disparate de subir na tribuna do Senado para reclamar, dizendo que protocolou pedido de explicações ao governo federal sobre o aumento de gastos com publicidade na internet, de R$ 15 milhões, em 2000, para R$ 90 milhões, em 2011. 


O tucano reclama do governo ter aumentado verbas a diversos portais em seis  vezes, se "esquecendo" do óbvio: o crescimento da audiência foi muito maior, 40 vezes. Deveria reclamar é do governo estar direcionando muito menos verbas do que a proporcionalidade recomenda.

Mas o alvo do tucano não é a internet em si. É a velha obsessão demotucana contra a militância e ativismo virtual do que José Serra chamou de "blogs sujos" e contra a nova imprensa alternativa ter alguma participação naquilo que era monopólio da velha imprensa.

Aloysio, talvez pelo seu conhecimento de práticas tucanas, talvez por ler as teorias mirabolantes da revista Veja, disse: "É impossível saber o que é gasto com empresas que concorreram no mercado, e as que não são (...). É um exército, uma milícia no 'cyber espaço'..." O comportamento do tucano é previsível.

Mas foi decepcionante o líder do PSOL, senador Randolfe Rodrigues (AP) dizer que também assinaria o requerimento do tucano. Joga no lixo o discurso do PSOL a favor da democratização das comunicações, e vira lobista dos barões da mídia, só porque o site Brasil247 (que tem muitas matérias críticas ao governo, e é feito por muitos jornalistas vindos da velha imprensa), publicou denúncias de que Randolfe teria recebido um "mensalinho" de R$ 20 mil por mês quando era deputado na Assembleia Legislativa do Amapá.
A denúncia, partindo de um adversário político de Randolfe no Amapá, virou notícia a partir do momento em que foi apresentada à Procuradoria Geral da República. Se for verdade, Randolfe que responda por seus atos. Se não for, denúncia caluniosa é crime, e é o denunciante quem deverá responder. O que quer o senador do PSOL? A volta da censura, proibindo notícias que lhe atinge? Ora, ele que é useiro e vezeiro em apontar o dedo para os outros como se fosse paladino da ética, que explique se não existiram esses tais R$ 20 mil por mês com transparência.
Deixando de lado a troca de apoio aos barões da mídia em troca de blindagem do senador do PSOL, voltemos às verbas publicitárias. Poucos são os blogs fora da velha mídia que têm propaganda governamental ou de estatais, e os que tem são de jornalistas consagrados, cujos blogs tem grande audiência. O que mais vemos são anúncios e banners de publicidade governamental ou estatal em portais da velha mídia. Paradoxalmente, é a Veja, o UOL/Folha, a Globo, o Estadão, R7, RBS, etc, quem abocanha a maior fatia destas verbas.
A massa de "blogs sujos" que existe na internet está excluída das verbas de publicidade governamental.  Ao contrário do que imagina Aloysio Nunes, falta à Secretaria de Comunicação da Presidência da República (SECOM) uma política de democratização da publicidade para pequenos blogs independentes. Uma política dessas abriria muito o mercado de trabalho para jornalistas, técnicos e produtores de conteúdo.

Por falta desta política de democratização da publicidade, alguns blogs recorrem a colocar anúncios do Google, para ter alguma renda. O que é uma pena só ter esta opção, pois a maior parte do dinheiro que os anunciantes pagam vai para o exterior, em vez de ficar na economia nacional. A SECOM poderia fomentar, pelo menos, um sistema desse tipo, nacional, criando mais empregos e renda aqui no Brasil.

NOVA  VIA

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