26 de mar. de 2013

LULA: "NÃO SE PREOCUPEM, NÃO É UM CÂNCER"


Durante o seminário "Novos Desafios da Sociedade", promovido pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo, ex-presidente Lula comenta boatos de que câncer teria voltado, desta vez nos seus pulmões, e brinca a respeito de rouquidão de sua voz: "Não é a volta do câncer"; durante o seminário, que contou com a participação do ex-presidente espanhol Felipe González, Lula disse que faltam lideranças políticas na Europa para enfrentar a crise: "É preciso equilibrar o poder de decisão política na União Europeia"


247 - "Me desculpem a garganta. Estou falando muito e estou cansado. Mas não se preocupem, não é um câncer", disse nesta terça-feira, no seminário "Novos Desafios da Sociedade", organizado pelo jornal Valor Econômico em São Paulo,, o ex-presidente Lula, procurando esvaziar os rumores de que teria voltado a apresentar um quadro de câncer, desta vez nos pulmões, segundo os boatos. "Embora eu tenha deixado a Presidência, eu não perdi o hábito de falar muito", brincou.
Após a declaração de Lula, o ex-presidente espanhol Felipe González, que participa do evento, entrou na brincadeira: "Estou falando muito, estou poupando a sua garganta, amigo Lula". Durante o encontro, Lula disse ainda que Estado e mercado funcionam melhor quando não extrapolam seus papéis na economia. O ex-presidente brasileiro lembrou ainda que, na crise de 2008, seu governo liberou compulsório e os bancos usaram dinheiro para comprar título público. "Era mais rentável", explicou Lula.
No último sábado, Lula participou da inauguração das novas alas do Hospital Infantojuvenil Luiz Inácio Lula da Silva, em Barretos (SP), administrado pela Fundação Pio XII, também responsável pelo Hospital de Câncer de Barretos. Após a visita, Lula disse que saía dali com mais orgulhoso de ser brasileiro e disposto a ser um parceiro, para incentivar que outros hospitais como esse sejam criados no Brasil. "Não há no país nenhum hospital [privado ou público] com o senso de humanismo que vimos aqui", comentou.
Regulação
Durante o seminário, Lula e González concordaram que é preciso regular o sistema financeiro global para evitar a especulação, principalmente no mercado futuro de ações.O brasileiro lembrou que, logo após a crise do subprime com as hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos, ocorreu uma alta dos alimentos e do petróleo, levando todo mundo a culpar o consumo chinês. "E aí a gente descobre que o problema é que tinha mais petróleo na bolsa de futuro do que na China, e o mesmo ocorria com a soja", completou.
Baseado nessa análise, Lula cobrou a criação de uma organização global para atuar nessas negociações. "Temos que criar regulação para o sistema financeiro. Sem isso, todos estaremos muito vulneráveis", defendeu. Já González advogou em favor da "taxa Tobin", proposta nos anos 1980, para incidir sobre as movimentações financeiras internacionais. "Não estou contra a especulação de mercados futuros. Estou contra a especulação gratuita, que arruína a colheita de milhões de pessoas no mundo", disse.
Sem liderança
Lula também disse que faltam lideranças políticas na União Europeia para enfrentar a crise econômica. "O sistema financeiro assumiu um papel tão importante por ausência de regulação política. É coisa gravíssima e não está acertada ainda", disse Lula durante seu discursar. O ex-presidente destacou que faltam "mais decisões políticas do que econômicas" no enfrentamento da crise europeia. "Político precisa existir para resolver crise. Há problemas políticos para serem resolvidos. É preciso equilibrar o poder de decisão política na União Europeia. Tudo está subordinado às eleições", disse.

NOVA  VIA

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